O Bloco Comunicao
Notícias


O terror pede carona

alucinante

A cidade de Santos Dumont, em Minas Gerais, está em ruínas. Cerca de 20 zumbis atacaram a população. Até o momento não foi encontrado nenhum sobrevivente. A capital nacional Brasília, também está em alerta: a região está tomada por 55 mortos-vivos. Enquanto isso, em Maricá, no estado do Rio de Janeiro, 12 jovens encontram-se desaparecidos e dois, que acompanhavam o grupo, estão mortos, o motivo ainda não foi identificado.

Os acontecimentos acima realmente ocorreram, mas na ficção. Trata-se de filmes independentes produzidos no Brasil, por jovens na faixa etária de 20 a 30 anos de idade, que buscam espaço no cinema brasileiro, através de um gênero pouco explorado no país: o terror.

Para Rodrigo Brandão, diretor de Era dos Mortos, o cinema nacional apresenta dificuldades em formar realizadores interessados no gênero. “Existe um número enorme de pessoas que gostam do gênero, mas poucas realmente fazem. A falta de incentivo desanima, mas acredito que devemos continuar tentando”, afirma o mineiro que se formou em Análises de Sistemas e não fez curso de Cinema ainda, por considerar arriscado investir somente em uma carreira cinematográfica no Brasil.

3zumbisTiago Belotti filmou o longa A capital dos mortos, em Brasília, e ressalta o mesmo problema apresentado por Brandão. “Juntei dinheiro três anos para financiar o filme. Sabia que ao fazer uma película de zumbis no Brasil, teria que pagar por tudo. Mas o filme não custou caro, é o que chamo de ultra- mega- independente”

Realizado na cidade de Maricá, Fim de semana alucinante teve um custo de R$ 900 . “Desse dinheiro, R$ 600 foram destinados à alimentação da equipe durante os 20 dias que ficamos na locação. Os outros R$ 300 foram usados em figurino e maquiagem de efeito, além de outros itens da arte do filme”, ressalta o diretor Rodrigo Salvador.

De acordo com o crítico de cinema Rodrigo Cardoso, existe uma quantidade mínima de filmes sendo produzidos acima de dois milhões de reais, e um número expressivo sendo realizados de maneira autônoma. “Não é justo que, em uma época com tanto dinheiro para produção, de cada 50 lançamentos (alguns caríssimos, mas de oito milhões esbanjados), apenas um ou dois se paguem”, indigna-se.

Passado macabro 1,2,3
Danny Boyle, Peter Baiestorf e Wes Craven. Essas são apenas algumas das influências citadas pelos diretores ao caracterizarem o caminho de seus filmes. Entretanto, algumas histórias acabam se tornando marcantes, como a de Rodrigo Salvador. “Quando pequeno, acho que era um dos únicos que gostava de ter pesadelos. Sempre gostei de ser perseguido pelo Jason ou pelo Chucky. Mas principalmente por saber que no fim, tudo era um sonho. É ótimo poder colocar para fora seu lado sádico, cortar, matar, estripar, sem ter que se preocupar com as conseqüências depois”, empolga-se o jovem estreante.

alucinantesRodrigo Brandão também seguiu um caminho diferente quando escreveu Era dos Mortos. “Podem pensar que tem a influência de Homero, um diretor que ficou famoso fazendo filmes de zumbis, mas na verdade, quando era criança, gostava de um jogo de vídeo game que era sobre mortos-vivos. Essa foi a maior influência ao escrever o filme”.

O primeiro contato de Tiago Belotti também não esteve relacionado a um filme ou cineasta específico e sim, o clipe Thriller, de Michael Jackson, que marcou sua infância.

Dayane Faustino é fã de filmes de zumbis, aprova as influências dos diretores e suas escolhas ao produzirem os filmes. “É muito bom assistir um filme brasileiro de terror. Creio que muitas pessoas têm preconceito. Mas é necessário divulgarmos esses filmes para nossos amigos, para que eles também possam prestar atenção nesse gênero aqui no Brasil.”, salienta a jovem economista.

Elton Menezes de 22 anos, também é viciado no gênero, mas acredita que a situação não esteja relacionada ao público. “A quantidade de pessoas que curte filme de terror é colossal no país, não há motivo para não esperar algo de bom por aqui. O problema é que o financiamento para a cultura cinematográfica é muito baixo. Principalmente financiamento para o lado considerado B do cinema.”, afirma o rapaz.

Às vezes eles voltam… Para sempre
Mesmo contando com a descrença do fortalecimento de uma indústria audivisual voltada para o terror, os três diretores continuam produzindo seus filmes. Tiago Belotti possui uma produtora e está pré-produzindo a continuação de Capital dos Mortos. “É uma trilogia, se tudo der certo, a segunda parte começará a ser rodada em fevereiro de 2009. No momento estamos finalizando a produção de um média chamado Macumba”, conta o diretor brasiliense.

Rodrigo Salvador também está produzindo um média chamado Esquizofrenia e planeja, em breve, realizar a continuação de Fim de semana alucinante.

Já Rodrigo Brandão não pretende realizar a continuação de Era dos Mortos. Ele está roteirizando um curta-metragem. “Não podemos parar, se tiver dois interessados em fazer, lá estamos, não interessa o resto”, garante.

Por Raquel Turetti